Descrição de mercadoria na DI para máquinas e equipamentos: modelos, cuidados e exemplos práticos
Copiar o nome comercial da fatura para a descrição da mercadoria é pouco. A fiscalização precisa conseguir identificar o equipamento, entender o que ele faz e conferir se NCM, tratamento administrativo e documentos contam a mesma história. Em máquinas, a descrição costuma falhar de dois jeitos: fica genérica demais, como “máquina industrial” ou “trator”, ou vira catálogo comercial e esquece o que realmente diferencia o bem. Tipo, função, modelo, potência, capacidade, propulsão, condição e configuração importada são o que interessa.

- Autor
- Por In Time Logística · Equipe técnica
- Publicado
- Publicado em 24 de agosto de 2026
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- 10 min de leitura
Resposta direta
Na DI, a especificação deve ser escrita em português e descrever completamente a mercadoria, com as características necessárias à sua identidade comercial e à classificação fiscal. A Receita cita, entre os elementos usuais, espécie, marca, modelo e nome comercial ou científico. Na Duimp, parte relevante da caracterização vem do Catálogo de Produtos: NCM, atributos, detalhamento complementar, fabricante e operador estrangeiro. O campo de descrição complementar deve ser usado para informações variáveis da operação ou características que não estejam nos atributos e no detalhamento do produto. Não existe um texto único que sirva para toda máquina. O modelo deve ser adaptado à NCM, à ficha técnica e ao tratamento administrativo aplicável.
Conteúdo detalhado
O que uma boa descrição precisa responder
Antes de redigir, confira se o texto permite responder às perguntas abaixo:
- O que é? Tipo e espécie da máquina.
- O que faz? Função principal e aplicação objetiva.
- Quem fabricou? Fabricante, marca e país quando relevantes ao cadastro.
- Qual é o modelo? Modelo, versão, referência ou código comercial.
- Como opera? Fonte de energia, propulsão, potência ou sistema principal.
- Qual é sua capacidade? Carga, volume, alcance, produção, vazão ou outro indicador técnico pertinente.
- Em que condição está? Nova, usada ou recondicionada, conforme documentos e regras aplicáveis.
- Qual é a configuração importada? Acessórios, implementos, série, chassi ou componentes quando necessários à identificação.
- Os documentos confirmam o texto? Invoice, lista de volumes, conhecimento, catálogo, licença e declaração precisam ser coerentes.
Dados que normalmente merecem conferência
Nem todos os campos abaixo entram em toda descrição. A seleção depende do equipamento e da NCM.
| Grupo | Exemplos de informação | Por que importa |
|---|---|---|
| Identificação | Espécie, marca, fabricante, modelo, referência | Distingue o produto comercialmente |
| Função | Escavar, elevar, carregar, tracionar, usinar, comprimir | Ajuda a caracterizar a natureza do equipamento |
| Energia e motorização | Diesel, elétrico, híbrido, potência em kW, tensão | Pode alterar classificação e controle ambiental |
| Capacidade | Toneladas, metros cúbicos, vazão, alcance, produção por hora | Diferencia modelos e configurações |
| Mobilidade | Autopropulsada, rebocada, estacionária, sobre rodas ou esteiras | Pode ser essencial à classificação |
| Condição | Nova, usada ou recondicionada | Relaciona-se a controles e documentos específicos |
| Individualização | Número de série, chassi, ano de fabricação | Identifica a unidade quando exigido |
| Configuração | Implementos, acessórios, cabine, bateria, carregador | Evita divergência entre descrição e carga física |
Estrutura prática para montar a descrição
Uma estrutura segura é:
[tipo de equipamento], [função principal], [forma de operação ou propulsão], marca [marca], fabricante [fabricante], modelo [modelo], [potência/capacidade principal], [características técnicas relevantes], [configuração importada], condição [nova/usada/recondicionada], [série/chassi quando aplicável].
Essa ordem não é obrigatória. O importante é preservar clareza, identidade e coerência com a classificação fiscal.
Modelos adaptáveis
Os modelos abaixo são ilustrativos. Não devem ser copiados sem validação da NCM, da ficha técnica e dos atributos exigidos.
Trator agrícola
Trator agrícola de rodas, autopropulsado, destinado a tração e acionamento de implementos agrícolas, marca [marca], fabricante [fabricante], modelo [modelo], motor diesel de [potência em kW], tração [4x2/4x4], transmissão [tipo], tomada de potência [característica], condição [nova/usada], número de série [número].
Retroescavadeira
Retroescavadeira autopropulsada sobre rodas, destinada a escavação e carregamento, marca [marca], fabricante [fabricante], modelo [modelo], motor diesel de [potência em kW], caçamba frontal de [capacidade], braço traseiro com profundidade máxima de escavação de [medida], condição [nova/usada], número de série [número].
Escavadeira hidráulica
Escavadeira hidráulica autopropulsada sobre esteiras, destinada a escavação e movimentação de materiais, marca [marca], modelo [modelo], motor diesel de [potência em kW], peso operacional de [peso], caçamba de [capacidade em m³], alcance máximo de [medida], condição [nova/usada], número de série [número].
Pá carregadeira
Pá carregadeira frontal autopropulsada sobre rodas, destinada ao carregamento e movimentação de materiais, marca [marca], modelo [modelo], motor diesel de [potência em kW], capacidade da caçamba de [m³], carga operacional de [kg ou t], condição [nova/usada], número de série [número].
Empilhadeira
Empilhadeira autopropulsada, destinada à elevação e movimentação de cargas, marca [marca], modelo [modelo], acionamento [elétrico/diesel/GLP], capacidade nominal de carga de [kg] a centro de carga de [mm], altura máxima de elevação de [mm], mastro [tipo], condição [nova/usada], número de série [número].
Para empilhadeira elétrica, informe bateria, tensão e carregador quando fizerem parte da configuração importada e forem relevantes para a declaração.
Exemplo de descrição fraca e descrição corrigida
Fraca
Máquina carregadeira nova, completa, marca X, de alta performance.
Problemas: não informa tipo de mobilidade, função precisa, modelo, potência, capacidade nem configuração. “Alta performance” é linguagem comercial e não ajuda a identificar a mercadoria.
Melhor estruturada
Pá carregadeira frontal autopropulsada sobre rodas, para carregamento de materiais, marca X, fabricante Y, modelo Z100, motor diesel de 95 kW, caçamba de 1,8 m³, carga operacional de 3.000 kg, cabine fechada, condição nova, série ABC123.
A segunda versão só é adequada se todos os dados estiverem confirmados na documentação e forem compatíveis com a NCM escolhida.
DI: o que a Receita exige na aba Mercadoria
No Siscomex Importação, a descrição detalhada é obrigatória. A especificação deve identificar completamente a mercadoria em português, incluindo as características necessárias à identidade comercial e à classificação fiscal. A adição também reúne quantidade, unidade comercializada, valor, peso, aplicação e condição da mercadoria.
Esses dados precisam ser coerentes entre si. Uma fatura comercial que apresenta unidades enquanto a declaração registra conjuntos, por exemplo, exige memória clara de conversão e correspondência documental.
Em 2026, as instruções específicas do Siscomex sobre informações da Reforma Tributária também devem ser observadas. Quando a operação continuar em LI/DI e o sistema exigir o código cClassTrib, siga exatamente o formato vigente divulgado pela Receita, inclusive a orientação de registrá-lo entre colchetes, sem confundi-lo com a descrição técnica do equipamento.
Duimp: a descrição não fica em um único campo
Na Duimp, a identificação do produto é formada por um conjunto:
- cadastro do produto e sua NCM;
- fabricante ou produtor estrangeiro;
- atributos exigidos para a NCM;
- detalhamento complementar do produto;
- dados variáveis do item importado;
- descrição complementar da mercadoria, quando necessária;
- números de série, chassi ou outras individualizações, conforme o caso.
A Receita informa que o campo de descrição complementar tem capacidade de 4.000 caracteres e deve registrar características que identifiquem a mercadoria, mas que não estejam nos atributos ou no detalhamento do Catálogo. Não transforme esse campo em cópia integral da descrição da DI. Primeiro verifique o que o Catálogo já estruturou. Depois complemente apenas o que é variável ou necessário naquela operação.
Atributos mudam e versões precisam ser controladas
Os atributos do Catálogo de Produtos são atualizados ao longo do tempo para atender à Receita e aos órgãos anuentes. Uma alteração pode exigir nova versão do produto. Antes de reutilizar cadastro antigo:
- consulte a NCM e os atributos atuais no Classif;
- confirme se a versão do produto continua ativa;
- compare ficha técnica, fabricante e modelo;
- revise atributos de controle administrativo;
- verifique se a operação exige LPCO antes do embarque;
- evite alterar cadastro para acomodar produto materialmente diferente.
Quando o Ibama entra na operação
Nem toda máquina exige LCVM. O controle depende da NCM, da configuração, da aplicação e do tratamento administrativo vigente. O Ibama atua em importações de determinados veículos e máquinas, inclusive em códigos dos capítulos 84 e 87, para verificar requisitos de emissões e ruído. Quando aplicável, a máquina deve ter LCVM ou certidão de dispensa correspondente antes do fluxo de anuência.
Desde a adesão do Ibama ao Novo Processo de Importação, determinados produtos podem usar LPCO e Duimp. Operações que ainda forem registradas por DI seguem o fluxo de LI aplicável.
A LCVM é emitida por configuração. Mudanças em motor, transmissão, controle de emissões ou ruído podem exigir licença diferente, mesmo quando marca e modelo comercial parecem iguais.
Máquinas usadas e desmontadas
A condição usada precisa ser declarada e validada antes da compra. Bens usados podem estar sujeitos a controles específicos, e a descrição deve ser compatível com ano, série, estado e documentação.
Quando a máquina vier desmontada, não conclua automaticamente que cada caixa é uma mercadoria independente. Classificação de máquina completa apresentada desmontada, partes, acessórios e combinações de máquinas depende das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e da configuração efetivamente importada. A decisão de classificação deve vir antes da montagem da descrição e das adições.
Erros mais comuns
- usar somente o nome comercial da fatura comercial;
- traduzir loader como “carregador” sem identificar a espécie da máquina;
- omitir potência, capacidade ou forma de propulsão relevante;
- misturar acessórios opcionais com componentes básicos;
- indicar modelo diferente do catálogo técnico;
- declarar “nova” quando a documentação mostra equipamento recondicionado;
- copiar descrição antiga sem conferir atributos atuais da Duimp;
- tratar LCVM ou dispensa como requisito universal;
- usar linguagem promocional: “alta performance”, “tecnologia avançada”, “premium”;
- inserir dados não confirmados apenas para deixar a descrição mais completa.
Checklist final
- A espécie e a função da máquina estão claras?
- Marca, fabricante, modelo e referência conferem com a fatura comercial e o catálogo?
- Potência, capacidade e características relevantes foram validadas?
- A condição da mercadoria está correta?
- Quantidade, unidade comercial, peso e valor são coerentes?
- Série, chassi ou ano foram informados quando aplicáveis?
- A NCM foi validada antes de montar a descrição?
- Os atributos atuais do Catálogo foram consultados?
- O tratamento administrativo e a necessidade de LCVM, dispensa, LI ou LPCO foram verificados?
- A descrição evita linguagem comercial e dados não comprovados?
Fontes oficiais
- Receita Federal: Aba Mercadoria da DI
- Receita Federal: Aba Mercadoria da Duimp
- Receita Federal: Sistema Classif
- Ibama: Licença de importação para veículos e máquinas
- Ibama: LCVM para veículos, motores e máquinas
- Siscomex: adesão do Ibama ao Novo Processo de Importação
Data de corte regulatório: 24/08/2026.
Perguntas frequentes
O que uma boa descrição de máquina precisa responder na DI?
O texto deve permitir responder: o que é (tipo e espécie), o que faz (função principal), quem fabricou, qual é o modelo, como opera (fonte de energia, propulsão, potência), qual é sua capacidade, em que condição está (nova, usada ou recondicionada) e qual é a configuração importada. Invoice, lista de volumes, conhecimento, catálogo, licença e declaração precisam ser coerentes entre si.A descrição da Duimp é igual à da DI?
Não. Na Duimp, a identificação do produto é formada por um conjunto: cadastro do produto e sua NCM, fabricante ou produtor estrangeiro, atributos exigidos para a NCM, detalhamento complementar, dados variáveis do item e descrição complementar quando necessária. O campo de descrição complementar tem capacidade de 4.000 caracteres e deve registrar apenas o que não está nos atributos ou no detalhamento do Catálogo, sem virar cópia integral da descrição da DI.Toda máquina importada precisa de LCVM do Ibama?
Não. O controle depende da NCM, da configuração, da aplicação e do tratamento administrativo vigente. O Ibama atua em importações de determinados veículos e máquinas, inclusive em códigos dos capítulos 84 e 87, para verificar requisitos de emissões e ruído. Quando aplicável, a máquina deve ter LCVM ou certidão de dispensa antes do fluxo de anuência. A LCVM é emitida por configuração: mudanças em motor, transmissão, controle de emissões ou ruído podem exigir licença diferente.Como descrever máquina usada ou que chega desmontada?
A condição usada precisa ser declarada e validada antes da compra, com descrição compatível com ano, série, estado e documentação. Quando a máquina vier desmontada, não conclua automaticamente que cada caixa é uma mercadoria independente: a classificação de máquina completa apresentada desmontada, partes, acessórios e combinações de máquinas depende das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e da configuração efetivamente importada.Posso reaproveitar um cadastro antigo do Catálogo de Produtos?
Só depois de conferir: consulte a NCM e os atributos atuais no Classif, confirme se a versão do produto continua ativa, compare ficha técnica, fabricante e modelo, revise atributos de controle administrativo e verifique se a operação exige LPCO antes do embarque. Não altere cadastro para acomodar produto materialmente diferente.
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Conteúdo revisado em 24 de agosto de 2026. Fontes oficiais: Receita Federal, Ibama e Portal Único Siscomex. Data de corte regulatório: 24/08/2026.
DI · DUIMP · LCVM · Máquinas e Equipamentos
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