Pular para o conteúdo principal
In Time Logística
Inteligência Aduaneira

Descrição de mercadoria na DI para máquinas e equipamentos: modelos, cuidados e exemplos práticos

Copiar o nome comercial da fatura para a descrição da mercadoria é pouco. A fiscalização precisa conseguir identificar o equipamento, entender o que ele faz e conferir se NCM, tratamento administrativo e documentos contam a mesma história. Em máquinas, a descrição costuma falhar de dois jeitos: fica genérica demais, como “máquina industrial” ou “trator”, ou vira catálogo comercial e esquece o que realmente diferencia o bem. Tipo, função, modelo, potência, capacidade, propulsão, condição e configuração importada são o que interessa.

Foto de João Batista Paiva

Revisão técnica

João Batista Paiva

Especialista em Comércio Exterior e Operações Aduaneiras

Autor
Por In Time Logística · Equipe técnica
Publicado
Publicado em 24 de agosto de 2026
Tempo de leitura
10 min de leitura

Resposta direta

Na DI, a especificação deve ser escrita em português e descrever completamente a mercadoria, com as características necessárias à sua identidade comercial e à classificação fiscal. A Receita cita, entre os elementos usuais, espécie, marca, modelo e nome comercial ou científico. Na Duimp, parte relevante da caracterização vem do Catálogo de Produtos: NCM, atributos, detalhamento complementar, fabricante e operador estrangeiro. O campo de descrição complementar deve ser usado para informações variáveis da operação ou características que não estejam nos atributos e no detalhamento do produto. Não existe um texto único que sirva para toda máquina. O modelo deve ser adaptado à NCM, à ficha técnica e ao tratamento administrativo aplicável.

Conteúdo detalhado

O que uma boa descrição precisa responder

Antes de redigir, confira se o texto permite responder às perguntas abaixo:

  • O que é? Tipo e espécie da máquina.
  • O que faz? Função principal e aplicação objetiva.
  • Quem fabricou? Fabricante, marca e país quando relevantes ao cadastro.
  • Qual é o modelo? Modelo, versão, referência ou código comercial.
  • Como opera? Fonte de energia, propulsão, potência ou sistema principal.
  • Qual é sua capacidade? Carga, volume, alcance, produção, vazão ou outro indicador técnico pertinente.
  • Em que condição está? Nova, usada ou recondicionada, conforme documentos e regras aplicáveis.
  • Qual é a configuração importada? Acessórios, implementos, série, chassi ou componentes quando necessários à identificação.
  • Os documentos confirmam o texto? Invoice, lista de volumes, conhecimento, catálogo, licença e declaração precisam ser coerentes.

Dados que normalmente merecem conferência

Nem todos os campos abaixo entram em toda descrição. A seleção depende do equipamento e da NCM.

GrupoExemplos de informaçãoPor que importa
IdentificaçãoEspécie, marca, fabricante, modelo, referênciaDistingue o produto comercialmente
FunçãoEscavar, elevar, carregar, tracionar, usinar, comprimirAjuda a caracterizar a natureza do equipamento
Energia e motorizaçãoDiesel, elétrico, híbrido, potência em kW, tensãoPode alterar classificação e controle ambiental
CapacidadeToneladas, metros cúbicos, vazão, alcance, produção por horaDiferencia modelos e configurações
MobilidadeAutopropulsada, rebocada, estacionária, sobre rodas ou esteirasPode ser essencial à classificação
CondiçãoNova, usada ou recondicionadaRelaciona-se a controles e documentos específicos
IndividualizaçãoNúmero de série, chassi, ano de fabricaçãoIdentifica a unidade quando exigido
ConfiguraçãoImplementos, acessórios, cabine, bateria, carregadorEvita divergência entre descrição e carga física

Estrutura prática para montar a descrição

Uma estrutura segura é:

[tipo de equipamento], [função principal], [forma de operação ou propulsão], marca [marca], fabricante [fabricante], modelo [modelo], [potência/capacidade principal], [características técnicas relevantes], [configuração importada], condição [nova/usada/recondicionada], [série/chassi quando aplicável].

Essa ordem não é obrigatória. O importante é preservar clareza, identidade e coerência com a classificação fiscal.

Modelos adaptáveis

Os modelos abaixo são ilustrativos. Não devem ser copiados sem validação da NCM, da ficha técnica e dos atributos exigidos.

Trator agrícola

Trator agrícola de rodas, autopropulsado, destinado a tração e acionamento de implementos agrícolas, marca [marca], fabricante [fabricante], modelo [modelo], motor diesel de [potência em kW], tração [4x2/4x4], transmissão [tipo], tomada de potência [característica], condição [nova/usada], número de série [número].

Retroescavadeira

Retroescavadeira autopropulsada sobre rodas, destinada a escavação e carregamento, marca [marca], fabricante [fabricante], modelo [modelo], motor diesel de [potência em kW], caçamba frontal de [capacidade], braço traseiro com profundidade máxima de escavação de [medida], condição [nova/usada], número de série [número].

Escavadeira hidráulica

Escavadeira hidráulica autopropulsada sobre esteiras, destinada a escavação e movimentação de materiais, marca [marca], modelo [modelo], motor diesel de [potência em kW], peso operacional de [peso], caçamba de [capacidade em m³], alcance máximo de [medida], condição [nova/usada], número de série [número].

Pá carregadeira

Pá carregadeira frontal autopropulsada sobre rodas, destinada ao carregamento e movimentação de materiais, marca [marca], modelo [modelo], motor diesel de [potência em kW], capacidade da caçamba de [m³], carga operacional de [kg ou t], condição [nova/usada], número de série [número].

Empilhadeira

Empilhadeira autopropulsada, destinada à elevação e movimentação de cargas, marca [marca], modelo [modelo], acionamento [elétrico/diesel/GLP], capacidade nominal de carga de [kg] a centro de carga de [mm], altura máxima de elevação de [mm], mastro [tipo], condição [nova/usada], número de série [número].

Para empilhadeira elétrica, informe bateria, tensão e carregador quando fizerem parte da configuração importada e forem relevantes para a declaração.

Exemplo de descrição fraca e descrição corrigida

Fraca

Máquina carregadeira nova, completa, marca X, de alta performance.

Problemas: não informa tipo de mobilidade, função precisa, modelo, potência, capacidade nem configuração. “Alta performance” é linguagem comercial e não ajuda a identificar a mercadoria.

Melhor estruturada

Pá carregadeira frontal autopropulsada sobre rodas, para carregamento de materiais, marca X, fabricante Y, modelo Z100, motor diesel de 95 kW, caçamba de 1,8 m³, carga operacional de 3.000 kg, cabine fechada, condição nova, série ABC123.

A segunda versão só é adequada se todos os dados estiverem confirmados na documentação e forem compatíveis com a NCM escolhida.

DI: o que a Receita exige na aba Mercadoria

No Siscomex Importação, a descrição detalhada é obrigatória. A especificação deve identificar completamente a mercadoria em português, incluindo as características necessárias à identidade comercial e à classificação fiscal. A adição também reúne quantidade, unidade comercializada, valor, peso, aplicação e condição da mercadoria.

Esses dados precisam ser coerentes entre si. Uma fatura comercial que apresenta unidades enquanto a declaração registra conjuntos, por exemplo, exige memória clara de conversão e correspondência documental.

Em 2026, as instruções específicas do Siscomex sobre informações da Reforma Tributária também devem ser observadas. Quando a operação continuar em LI/DI e o sistema exigir o código cClassTrib, siga exatamente o formato vigente divulgado pela Receita, inclusive a orientação de registrá-lo entre colchetes, sem confundi-lo com a descrição técnica do equipamento.

Duimp: a descrição não fica em um único campo

Na Duimp, a identificação do produto é formada por um conjunto:

  • cadastro do produto e sua NCM;
  • fabricante ou produtor estrangeiro;
  • atributos exigidos para a NCM;
  • detalhamento complementar do produto;
  • dados variáveis do item importado;
  • descrição complementar da mercadoria, quando necessária;
  • números de série, chassi ou outras individualizações, conforme o caso.

A Receita informa que o campo de descrição complementar tem capacidade de 4.000 caracteres e deve registrar características que identifiquem a mercadoria, mas que não estejam nos atributos ou no detalhamento do Catálogo. Não transforme esse campo em cópia integral da descrição da DI. Primeiro verifique o que o Catálogo já estruturou. Depois complemente apenas o que é variável ou necessário naquela operação.

Atributos mudam e versões precisam ser controladas

Os atributos do Catálogo de Produtos são atualizados ao longo do tempo para atender à Receita e aos órgãos anuentes. Uma alteração pode exigir nova versão do produto. Antes de reutilizar cadastro antigo:

  • consulte a NCM e os atributos atuais no Classif;
  • confirme se a versão do produto continua ativa;
  • compare ficha técnica, fabricante e modelo;
  • revise atributos de controle administrativo;
  • verifique se a operação exige LPCO antes do embarque;
  • evite alterar cadastro para acomodar produto materialmente diferente.

Quando o Ibama entra na operação

Nem toda máquina exige LCVM. O controle depende da NCM, da configuração, da aplicação e do tratamento administrativo vigente. O Ibama atua em importações de determinados veículos e máquinas, inclusive em códigos dos capítulos 84 e 87, para verificar requisitos de emissões e ruído. Quando aplicável, a máquina deve ter LCVM ou certidão de dispensa correspondente antes do fluxo de anuência.

Desde a adesão do Ibama ao Novo Processo de Importação, determinados produtos podem usar LPCO e Duimp. Operações que ainda forem registradas por DI seguem o fluxo de LI aplicável.

A LCVM é emitida por configuração. Mudanças em motor, transmissão, controle de emissões ou ruído podem exigir licença diferente, mesmo quando marca e modelo comercial parecem iguais.

Máquinas usadas e desmontadas

A condição usada precisa ser declarada e validada antes da compra. Bens usados podem estar sujeitos a controles específicos, e a descrição deve ser compatível com ano, série, estado e documentação.

Quando a máquina vier desmontada, não conclua automaticamente que cada caixa é uma mercadoria independente. Classificação de máquina completa apresentada desmontada, partes, acessórios e combinações de máquinas depende das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e da configuração efetivamente importada. A decisão de classificação deve vir antes da montagem da descrição e das adições.

Erros mais comuns

  • usar somente o nome comercial da fatura comercial;
  • traduzir loader como “carregador” sem identificar a espécie da máquina;
  • omitir potência, capacidade ou forma de propulsão relevante;
  • misturar acessórios opcionais com componentes básicos;
  • indicar modelo diferente do catálogo técnico;
  • declarar “nova” quando a documentação mostra equipamento recondicionado;
  • copiar descrição antiga sem conferir atributos atuais da Duimp;
  • tratar LCVM ou dispensa como requisito universal;
  • usar linguagem promocional: “alta performance”, “tecnologia avançada”, “premium”;
  • inserir dados não confirmados apenas para deixar a descrição mais completa.

Checklist final

  • A espécie e a função da máquina estão claras?
  • Marca, fabricante, modelo e referência conferem com a fatura comercial e o catálogo?
  • Potência, capacidade e características relevantes foram validadas?
  • A condição da mercadoria está correta?
  • Quantidade, unidade comercial, peso e valor são coerentes?
  • Série, chassi ou ano foram informados quando aplicáveis?
  • A NCM foi validada antes de montar a descrição?
  • Os atributos atuais do Catálogo foram consultados?
  • O tratamento administrativo e a necessidade de LCVM, dispensa, LI ou LPCO foram verificados?
  • A descrição evita linguagem comercial e dados não comprovados?

Fontes oficiais

Data de corte regulatório: 24/08/2026.

Perguntas frequentes

  • O que uma boa descrição de máquina precisa responder na DI?
    O texto deve permitir responder: o que é (tipo e espécie), o que faz (função principal), quem fabricou, qual é o modelo, como opera (fonte de energia, propulsão, potência), qual é sua capacidade, em que condição está (nova, usada ou recondicionada) e qual é a configuração importada. Invoice, lista de volumes, conhecimento, catálogo, licença e declaração precisam ser coerentes entre si.
  • A descrição da Duimp é igual à da DI?
    Não. Na Duimp, a identificação do produto é formada por um conjunto: cadastro do produto e sua NCM, fabricante ou produtor estrangeiro, atributos exigidos para a NCM, detalhamento complementar, dados variáveis do item e descrição complementar quando necessária. O campo de descrição complementar tem capacidade de 4.000 caracteres e deve registrar apenas o que não está nos atributos ou no detalhamento do Catálogo, sem virar cópia integral da descrição da DI.
  • Toda máquina importada precisa de LCVM do Ibama?
    Não. O controle depende da NCM, da configuração, da aplicação e do tratamento administrativo vigente. O Ibama atua em importações de determinados veículos e máquinas, inclusive em códigos dos capítulos 84 e 87, para verificar requisitos de emissões e ruído. Quando aplicável, a máquina deve ter LCVM ou certidão de dispensa antes do fluxo de anuência. A LCVM é emitida por configuração: mudanças em motor, transmissão, controle de emissões ou ruído podem exigir licença diferente.
  • Como descrever máquina usada ou que chega desmontada?
    A condição usada precisa ser declarada e validada antes da compra, com descrição compatível com ano, série, estado e documentação. Quando a máquina vier desmontada, não conclua automaticamente que cada caixa é uma mercadoria independente: a classificação de máquina completa apresentada desmontada, partes, acessórios e combinações de máquinas depende das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e da configuração efetivamente importada.
  • Posso reaproveitar um cadastro antigo do Catálogo de Produtos?
    Só depois de conferir: consulte a NCM e os atributos atuais no Classif, confirme se a versão do produto continua ativa, compare ficha técnica, fabricante e modelo, revise atributos de controle administrativo e verifique se a operação exige LPCO antes do embarque. Não altere cadastro para acomodar produto materialmente diferente.

Conteúdo revisado em 24 de agosto de 2026. Fontes oficiais: Receita Federal, Ibama e Portal Único Siscomex. Data de corte regulatório: 24/08/2026.

DI · DUIMP · LCVM · Máquinas e Equipamentos

Descrição da DI correta evita exigência. Descrição errada trava o desembaraço.

A In Time verifica a descrição da mercadoria antes do registro, confere a consistência com Invoice e Packing List e verifica os controles aplicáveis, inclusive LCVM, para reduzir o risco de exigência por informação incompleta.