LCVM do IBAMA na importação de máquinas: quando é exigida e como não travar sua carga
Importar um trator, uma escavadeira ou uma empilhadeira nova sem resolver a LCVM antes do embarque é apostar contra o relógio: a máquina chega, a anuência do IBAMA não sai e a armazenagem começa a correr. Este guia mostra o que é a licença, quais máquinas ela alcança, como ela se relaciona com a Duimp e o que conferir antes de fechar a operação.

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- Por In Time Logística · Equipe técnica
- Publicado
- Publicado em 26 de agosto de 2026
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- 11 min de leitura
Resposta direta
A LCVM, Licença para Uso da Configuração de Veículo ou Motor, é emitida pelo IBAMA, via Infoserv, para configurações de máquinas novas enquadradas no Proconve-MAR-1. Quando exigida, ela antecede a anuência de importação: as taxas federais somam R$ 1.443,54 por solicitação quando LCVM e declaração de ruído se aplicam, além de eventuais custos do agente técnico, e a licença vale no ano civil de emissão. A anuência usa LPCO e Duimp conforme o tratamento administrativo e o cronograma aplicáveis à operação.
Conteúdo detalhado
O que é a LCVM e por que o IBAMA exige
LCVM é a Licença para Uso da Configuração de Veículo ou Motor, emitida pelo IBAMA. Ela atesta que uma configuração específica, o conjunto formado pela máquina e pelo motor que a equipa, atende aos limites de emissão de poluentes do Proconve, o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores.
O IBAMA exige a licença por lei. A Lei 8.723/1993 fixou a obrigação de reduzir a emissão de poluentes por veículos automotores. A Resolução CONAMA 18/1986 criou o Proconve (atualizado pela Resolução CONAMA 418/2009), e a Resolução CONAMA 433/2011 estendeu esse controle às máquinas agrícolas e rodoviárias novas, criando o que o mercado chama de Proconve-MAR. Na sequência, a IN IBAMA 6/2015 regulamentou o procedimento para novas máquinas agrícolas ou rodoviárias e seus motores, nacionais ou importados. Em 29 de maio de 2025, a IN IBAMA 6/2025 consolidou os procedimentos de controle de importações no Portal Único Siscomex.
A licença tem dois detalhes que definem seu cronograma. Primeiro, quando aplicável, a LCVM do motor deve ser obtida antes da LCVM da máquina. Segundo, a LCVM vale apenas para o ano civil de emissão. Licença de um ano não cobre o seguinte.
Custo e prazo oficiais
| Item | Valor ou prazo oficial |
|---|---|
| LCVM | R$ 721,77 por solicitação |
| Declaração de Atendimento a Ruído | R$ 721,77 por solicitação, quando aplicável |
| Total das taxas federais | R$ 1.443,54 quando LCVM e declaração de ruído se aplicam |
| Agente Técnico Conveniado | Custo variável, cobrado diretamente pelo agente |
| Análise técnica | 30 dias após o envio de todas as informações no Infoserv |
| Prestação total do serviço | Até 60 dias corridos (tempo estimado, segundo o gov.br) |
As taxas federais não incluem análises ou ensaios cobrados pelo Agente Técnico Conveniado, cujo valor depende do processo.
Quais máquinas precisam de LCVM na importação
O IBAMA controla a importação de veículos e máquinas dos capítulos 84 e 87 da NCM quando sujeitos ao controle de emissões e ruídos. A LCVM para máquinas, por sua vez, alcança máquinas novas enquadradas no Proconve-MAR-1. A Resolução CONAMA 433/2011 cita expressamente tratores da posição 8701 e máquinas de movimento de terra da posição 8429. A NCM, sozinha, não basta para concluir que a licença é exigida.
Na prática, não é questão de decorar lista de NCM. O caminho seguro é consultar o tratamento administrativo vigente da classificação no Portal Único antes de fechar a operação. Essa lógica de enquadramento por NCM e órgão anuente vale para toda importação, e explicamos o panorama completo em artigo próprio sobre NCM, licença de importação e órgãos anuentes.
E as máquinas usadas?
A regra da LCVM alcança máquinas novas. Máquinas usadas têm trilha própria de licenciamento não automático: a Portaria SECEX 249/2023, que disciplina o licenciamento das importações, traz no Anexo V a lista de bens de capital usados e suas partes, peças e acessórios, atualizada em 08/05/2026. É uma análise separada, que se soma a qualquer anuência ambiental aplicável. Avalie caso a caso com o despachante antes de assumir que uma máquina usada está dispensada de qualquer licença, ou obrigada a alguma.
NCM, motor, potência e modelo: o que precisa bater
O nome da licença entrega a lógica da fiscalização: o que o IBAMA licencia é uma configuração, o par máquina e motor. Quando aplicável, a LCVM do motor vem antes da licença da máquina. Por isso também a ficha técnica da unidade embarcada precisa espelhar exatamente o que foi licenciado: fabricante, modelo da máquina, modelo do motor, potência e ano. Uma divergência entre o que chega ao porto e o que consta da licença pode gerar exigência e impedir a anuência até a regularização.
No Portal Único, essa amarração aparece no Catálogo de Produtos. O modelo de dados prevê o atributo ATT_9374, IBAMA Environmental Regularization - LCVM, que vincula o produto cadastrado à regularização ambiental. Esse vínculo não é estático: é administrado por Notícias Siscomex de Importação (NSI) e muda em ondas. A NSI 026/2026, por exemplo, removeu o atributo da posição NCM 8711, de motocicletas, a partir de 14/04/2026. O aviso preservou o vínculo dos LPCO registrados até 13/04/2026, uma prova de que o cadastro precisa ser conferido na data da operação.
⚠️ O tratamento administrativo do IBAMA muda com frequência, por Notícia Siscomex. Confira o TA vigente da NCM na semana da operação, direto no Portal Único. Print antigo, parecer do ano passado e a experiência do embarque anterior não valem como enquadramento.
Riscos operacionais: o que trava a anuência e quanto custa o atraso
A LCVM e a anuência de importação são etapas diferentes. A licença da configuração da máquina continua sendo solicitada no Infoserv. Desde junho de 2025, com a IN IBAMA 6/2025, o IBAMA aderiu ao módulo LPCO (Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos) do Portal Único para o controle da importação. O uso de LPCO com Duimp ou de LI com DI depende do tratamento administrativo e da etapa do cronograma aplicáveis à operação. A versão 25, atualizada em 24/08/2026, mantém desligamentos faseados da DI e situações especiais até dezembro de 2026. Por isso, consulte a regra vigente em vez de presumir que toda operação já segue o mesmo fluxo. Veja também quando a DUIMP se torna obrigatória para cada tipo de importador.
O quadro abaixo resume o que cada situação da licença faz com a operação.
| Situação da LCVM | Efeito na operação |
|---|---|
| Vigente e coerente com a máquina embarcada | Anuência segue seu curso e o despacho anda |
| Vencida (emitida em ano civil anterior) | A licença não cobre a operação; é preciso obter uma LCVM vigente, com análise de 30 dias e serviço estimado em até 60 dias corridos |
| Divergente (motor ou modelo diferente do licenciado) | A divergência pode gerar exigência e impedir a anuência até que a configuração seja comprovada ou corrigida |
| Inexistente | Sem LCVM ou dispensa, quando exigida, a anuência não se conclui; se a carga já chegou, podem surgir custos de armazenagem |
O custo do atraso não aparece em tabela oficial nenhuma, mas é ele que dói: armazenagem subindo todo dia, navio ou contêiner parado, equipe de instalação em espera, cronograma de produção inteiro adiado. E a carga retida ainda expõe a operação a outras frentes de risco do despacho, que detalhamos no panorama de multas na importação em 2026.
Como descrever a mercadoria na DI e na DUIMP
A LCVM amarra três pontas que precisam contar a mesma história: a descrição da mercadoria na declaração, a configuração física da máquina embarcada e o que consta da licença. O trabalho do anuente é conferir essa coerência. Descrição genérica, do tipo empilhadeira a diesel, não permite a conferência; a descrição precisa identificar fabricante, modelo comercial da máquina, modelo do motor e ano, de forma que qualquer analista consiga bater o declarado com o licenciado.
Na DUIMP, boa parte dessa informação nasce no Catálogo de Produtos: o produto cadastrado com os atributos exigidos pela NCM, incluindo o de regularização ambiental quando aplicável, é o que alimenta a declaração. Produto mal cadastrado gera divergência em série, repetida em toda operação que o reutiliza. As regras práticas de redação estão no nosso guia de descrição de mercadoria na DI e na DUIMP para máquinas e equipamentos.
Checklist antes de fechar a importação
A sequência abaixo é a que aplicamos na In Time antes de qualquer máquina fechar embarque. O princípio é um só: licença se resolve antes do booking, não depois da atracação.
- Confirme a classificação fiscal da máquina e consulte o tratamento administrativo vigente da NCM no Portal Único, na semana da operação.
- Verifique o enquadramento: máquina nova com motor de combustão entra no radar do Proconve-MAR; máquina usada segue a trilha do licenciamento não automático da Portaria SECEX 249/2023.
- Levante com o fabricante a ficha técnica completa: fabricante, modelo da máquina, modelo do motor, potência e ano.
- Confirme a LCVM da máquina e, quando aplicável, a do motor, ambas vigentes para o ano da operação. Se não houver, protocole o pedido no Infoserv contando os 30 dias de análise e o tempo total estimado de até 60 dias corridos.
- Confira com o despachante a regularidade cadastral da empresa junto ao IBAMA, incluindo o CTF, o Cadastro Técnico Federal.
- Cadastre o produto no Catálogo de Produtos com os atributos exigidos pela NCM, incluindo o de regularização ambiental (ATT_9374) quando aplicável.
- Cruze o cronograma de embarque com o ano civil da licença; operação que atravessa a virada do ano exige plano específico de cobertura.
- Só autorize o embarque com a licença equacionada e a descrição da mercadoria fechada, coerente com a configuração licenciada.
Caso real: mais de 30 máquinas pesadas com LCVM conferida antes do embarque
Na prática, funciona assim. Uma empresa do setor metalúrgico importou equipamentos de construção pesada e mineração para a unidade dela no interior da Bahia, e a In Time cuidou do embarque em navio breakbulk. Foram mais de 30 máquinas: retroescavadeiras, perfuratrizes, caminhões fora de estrada, entre outros equipamentos. O lote misturava máquina nova e usada, incluindo empilhadeiras, o que significa duas trilhas de licenciamento correndo ao mesmo tempo para uma única data de embarque. A conferência de LCVM aconteceu do lado de lá do oceano, equipamento por equipamento: número de série, ano de fabricação, configuração de motor e ficha técnica batendo com o que estava na licença.
Isso pesa ainda mais quando a compra é feita por trading no exterior. Entre o importador e o dado técnico da máquina existe mais um elo, e cada elo é uma chance de a informação chegar diferente do que está no equipamento. Divergência encontrada na origem se resolve com o fornecedor. Divergência encontrada no porto vira os 30 dias de análise da tabela acima, com a armazenagem correndo em paralelo e uma peça de mais de 40 toneladas parada no terminal.
O resultado: cinco dias entre a atracação do navio e o desembaraço, com mais de 30 peças na mesma operação. Canal verde. Canal verde ninguém encomenda, porque a parametrização é da Receita Federal. O que dá para fazer é chegar nela com licença, fatura, packing list e mercadoria contando exatamente a mesma história. Prazo de porto depende de canal, de terminal e de janela de atracação. O dossiê, esse sim, estava fechado antes de o navio zarpar.
Fontes oficiais
Toda a base citada está nas páginas oficiais: a orientação do IBAMA para solicitar a LCVM no Infoserv e as Notícias Siscomex de Importação. Lei 8.723/1993 · Resolução CONAMA 433/2011 · IN IBAMA 6/2015 · IN IBAMA 6/2025 · Portaria SECEX 249/2023 · Data de corte regulatório: 26/08/2026.
Perguntas frequentes
Toda máquina importada precisa de LCVM?
Não. A exigência alcança máquinas novas com motor de combustão dos capítulos 84 e 87 da NCM, no âmbito do Proconve-MAR da Resolução CONAMA 433/2011, como tratores da posição 8701 e máquinas de movimento de terra da posição 8429. O enquadramento concreto de cada NCM é dado pelo tratamento administrativo vigente no Portal Único.Quanto custa a LCVM?
As taxas federais somam R$ 1.443,54 por solicitação quando se aplicam a LCVM, de R$ 721,77, e a Declaração de Atendimento aos limites de ruído, também de R$ 721,77. Análises e ensaios do Agente Técnico Conveniado são cobrados à parte e variam conforme o processo.Quanto tempo leva para sair a LCVM?
A análise técnica ocorre em 30 dias após a entrega da documentação completa, e o serviço tem tempo estimado de até 60 dias corridos, segundo a página oficial. Por isso o pedido precisa andar antes do embarque, não depois da chegada da carga.A LCVM vence?
Sim. Ela vale apenas para o ano civil em que foi emitida. Operação com embarque perto da virada do ano exige planejamento específico de cobertura da licença e do momento do registro.O que acontece se a máquina chegar sem LCVM?
Sem LCVM ou dispensa, quando exigida, a anuência do IBAMA não se conclui e a mercadoria não avança no despacho. Se a carga já tiver chegado, armazenagem e outros custos de espera podem correr enquanto a licença tramita; o serviço tem prazo estimado de até 60 dias corridos.A LCVM entra na LI ou na DUIMP?
A LCVM da máquina é solicitada no Infoserv; ela não é emitida dentro da LI nem da Duimp. Para a anuência de importação, o IBAMA aderiu ao LPCO do Portal Único em junho de 2025, mas o uso de LPCO com Duimp ou de LI com DI depende do tratamento administrativo e do cronograma aplicáveis à operação.
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Conteúdo revisado em agosto de 2026. Próxima revisão: após nova atualização do cronograma de desligamento da DI ou do tratamento administrativo do IBAMA.
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A In Time confere classificação, tratamento administrativo e licença antes do embarque, do Catálogo de Produtos ao desembaraço. Fale com nossa equipe antes de fechar o booking.
